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A Voz do Arqueiro

A Voz do Arqueiro
Título Original : Archer´s Voice
Mia Sheridan
Editora Arqueiro

" - Quais são seus sonhos, Archer ? - sussurei, querendo saber o que se passava no coração dele.
Archer me encarou por mais alguns instantes, então ficou de joelhos e me puxou para cima, de modo que eu ficasse montada nele. Sorri e passei os braços ao redor de seu pescoço, mas me afastando um pouco para deixá-lo falar.
Não sabia o bastante para sonhar com você, Bree, mas de algum modo você se tornou realidade. Como isso aconteceu ? Ele esfregou o nariz no meu, ficou em silêncio por um tempo e então voltou a se afastar. Quem leu a minha mente e soube exatamente o que eu queria, quando eu mesmo não sabia ? "

Archer Hale vivia em uma família desajustada até que um terrível acidente o coloca frente à frente com verdades e intrigas envolvendo seu pai e seu tio. Dois irmãos que levaram a disputa pelo coração de uma mulher até as últimas consequências.
E nesse mesmo dia, durante o confronto entre dois homens desesperados, Archer se fere e perde a voz. Na verdade, naquele dia foi lhe tirado tudo de mais precioso aos sete anos de idade. Se recuperar e voltar a viver foi apenas um reflexo involuntário.
A partir desse ponto, Archer foi criado de forma reclusa pelo tio paranóico. Ele mal saia de casa, aprendeu a ser autossuficiente e a sua nova noção de família incluía também uma tia e um primo que além de detestá-lo, faziam questão de humilhá-lo nos poucos momentos que se encontravam.
Uma vida cinza que se resumia a trabalho, solidão e um sentimento muito forte de discriminação pelo fato de não falar em voz alta.

Bree Prescott foge para o Maine deixando para trás um passado de perdas, traumas e muita culpa.
A perda do pai durante uma tentativa de assalto violenta e aquela sensação imensa de impotência, a dominaram de tal forma que a decisão de ir para outra cidade bem longe daquilo tudo, parecia a coisa mais certa a fazer.
Já na nova cidade, estabelecida e com um novo emprego, Bree ainda era atormentada por flashbacks todas as manhãs. Um pânico a invadia, o choro vinha logo depois acompanhado do gosto amargo da culpa e nem a sua cachorrinha Phoebe conseguia acalmá-la.
Ela conheceu novas amigas, foi paquerada pelo melhor partido da cidade, mas o seu coração não procurava um "Deus Grego de uniforme". Seu coração ansiava por mais, apesar da sua cabeça não conseguir entender o quê de tão especial existia na água que os Hale bebiam para serem tão absurdamente lindos.

Mas aquela nova cidade oferecia um mundo novo que Bree estava ansiosa para desvendar. Contrariando tudo e todos, Bree se encanta com o lindo, estranho e calado Archer Hale. Algo nele a chamava cada vez mais perto. A deficiência não foi nenhum empecilho, pois ela sabia a linguagem dos sinais ( libras) . E assim, Bree e Archer são envolvidos em uma amizade rodeada de muita atração. Um amor que surgiu em meio a traumas, intrigas, culpas e muito preconceito.

O livro em uma palavra : inesquecível

Como quem lê faz seu filme, Archer é um homem a quem foi negado tudo. Bree aparece e lhe oferece o mundo e isso é muito assustador porque após conhecer todas aquelas sensações como pensar em voltar para aquela vida cinza sequer por um minuto ?
Mia Sheridan foi uma grande revelação pelo tom ameno, gracioso e ao mesmo tempo por abordar um tema tão forte como a deficiência de forma tão aberta. 
Não falar não o tornava menos homem que ninguém ! Essa foi a grande mensagem que a autora conseguiu passar de uma forma inesquecível.

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