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A Linguagem das Flores

A Linguagem das Flores
Título Original : The Language of Flowers
Vanessa Diffenbaugh
Editora Arqueiro

" As mãos de Grant pousaram sobre meus joelhos. Eu as peguei, levei-as ao rosto e as apertei contra meus lábios, minhas bochechas e minhas pálpebras. Enlacei as mãos dele em volta da minha nuca e o puxei mais para perto. Encostei minha testa na dele. Fechei os olhos e nossos lábios se tocaram. Apesar de seu lábio superior me arranhar um pouco, sua boca era carnuda e macia. Ele prendeu a respiração e eu o beijei novamente, dessa vez com mais intensidade, faminta. De joelhos, arrastei-me ladeira acima, derrubando os vasos em meu desejo de estar mais perto de Grant, de beijá-lo com mais força, por mais tempo, de mostrar quanto tinha sentido sua falta. 
Quando enfim nos separamos, sem fôlego, um dos vasos havia rolado ladeira abaixo, com suas flores retas e altas, de um amarelo quase ofuscante sob o sol de inverno.
Talvez eu estivesse enganada, pensei, observando os ramos se balançarem na brisa. Talvez a essência do significado de cada flor estivesse mesmo em algum lugar dentro de seu caule forte, no conjunto macio de suas pétalas "

Quando uma pessoa só conheceu espinhos, o que mais ela pode oferecer ?
Victoria Jones foi abandonada pela mãe logo ao nascer. Ela passou por incontáveis abrigos e pelas piores e mais constrangedoras situações desde que se entende por gente.
Aos nove anos conheceu o que foi mais próximo de um lar junto com a sua mãe adotiva Elisabeth e a linguagem das flores. Muita coisa deu errado na sua vida, muita culpa, muito ressentimento e aquela sensação de não ser boa o bastante, mas as flores eram constantes, a acalmavam e a transformavam em uma menina segura de si. Sempre que não conseguia expressar seus sentimentos, Victoria recorria a elas.

Jacinto Roxo : por favor me perdoe.
Musgo : Amor materno
Urze : Solidão
Cravo rosa : Nunca esquecerei você
Margarida ( Bellis): Inocência
Girassol ( Helianthus annuus): Falsa riqueza

Foram muitos abrigos e decepções e agora com dezoito anos, só haveria mais uma chance : ela teria que se virar sozinha. Deveria arranjar um emprego e pagar o seu próprio aluguel. Meredith, a assistente social que a acompanhava desde sempre, não tinha mais recursos e por muitas vezes transparecia não ter mais ânimo para ajudá-la; embora tenha sido persistente durante todo o tempo juntas.

Victoria passa então a fugir de Meredith e buscar a paz em meio a um jardim improvisado em um parque. Só que não dava para dormir ao relento para sempre e a solução vem como um pensamento voraz : flores !
Ela só entendia de flores então buscou um emprego nessa área e tudo começava a caminhar bem até que um certo vendedor do mercado de flores a desestabilizou como nenhuma outra pessoa conseguiu.
Grant, fez nascer flores em um deserto e esse deserto estava dentro de Victoria ! Através da linguagem das flores os dois venceram as barreiras e criaram um relacionamento único e verdadeiro.

Vanessa Diffenbaugh escreve em primeira pessoa alternando entre presente e passado. Somos levados de um turbilhão de emoções ao outro e assim, é possível se apaixonar por Victoria página por página.
É tanta tristeza e incompreensão que ouvimos uma voz interna nos dizendo : sim, ela vai conseguir. Sim, ela vai superar ! Sim, ela merece ser amada !
Por seu passado tão complexo, Victoria sofria da síndrome do fracasso. Cada capítulo nos mostra a sua luta diária para vencer seu pior inimigo : a mente. E em cada capítulo também, somos apresentados a uma Victoria guerreira, inteligente e sensível que virou a florista mais famosa da cidade.

O livro em uma palavra : lindo

Como quem lê faz seu filme, talvez eu tenha me apaixonado por Victoria logo na primeira página, mas no final eu me apaixonei também por Elisabeth. Ela foi capaz de enxergar amor onde todos só viam revolta e mau comportamento. Ela foi a única que a seu modo, amou Victoria verdadeiramente.
Renata e Mamãe Ruby também são incríveis e aceitam a nossa sofrida protagonista como ela é, mas sem deixar de enxergar muito mais através da névoa.
Grant merecia um capítulo inteiro só para si. Ele também havia sofrido muito, mas ainda era capaz de amar e pensar no futuro. Um homem lindo. Um menino forte. E acima de tudo, um amante das flores.

Um livro lindo sobre o poder das flores na vida das pessoas e como o amor pode transformá-las.

Amei !

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