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Um Conto do Destino

Um Conto do Destino
Título Original : Winter´s Tale
Mark Helprin
Editora Novo Conceito

" Você tem cara de pilantra. Quem é você, o que faz, qual é a sua relação com Beverly, sabe da sua condição de saúde e quais são suas motivações, intenções e desejos ? Conte-me toda a verdade, não divirja, pare se uma criança ou um criado entrar na sla, e seja breve.
- Como posso ser breve ? São perguntas complexas.
- Você pode ser breve. Se fosse um dos meus jornalistas, já teria concluído a sua história agora. Deus criou o mundo em seis dias. Faça como ele.
- Vou tentar
- Desnecessário
- Tudo bem.
- Desnecessário
- Meu nome é Peter Lake. O senhor tem razão. Sou um pilantra. 
Um Ladrão, mas, na realidade, sou um mecânico, e ótimo no que faço. Amo Beverly.
Nosso relacionamento não tem um nome. Não tenho intenções. Estou ciente da sua condição de saúde. Eu a desejo. O que me move ... é o amor. "


Peter Lake desde muito cedo conheceu as mazelas da vida. Os Catadores cuidaram dele e o protegeram por doze anos e a partir daí ele teve de seguir seu próprio caminho.
Conheceu o lado mais pobre de Manhattan ao lado de ladras e golpistas para depois ser resgatado por um Reverendo e seu Diácono. E foi lá no Lar do Reverendo Overweary para Crianças Lunáticas que ele conheceu o Reverendo Mootfowl e a sua paixão por máquinas e engrenagens.
Lá ele trabalhou muito, aprendeu muito e sentiu muita falta de estar entre os seus, seja lá onde for que os seus estivessem. 

"Peter Lake logo se tornou um dos cinquenta garotos de elite, escolhidos para trabalhar dia e noite em frente ao brilho da forja. Apresentados ainda cedo e forçosamente ao assunto, transformavam-se em mestres da arte da mecânica e, junto com Mootfowl, eram as pessoas certas na hora certa, pois a cidade estava começando a se mecanizar. "

Até que um dia aquele que o salvou, também foi aquele que o condenou e novamente Peter Lake estava por conta própria.
Entre fugir e correr, Peter Lake encontrou um cavalo branco que estava na mesma situação. Os dois tiveram uma imensa conversa com o olhar e decidiram unir forças. Assim, selava-se uma grande amizade entre um homem e um cavalo branco dotado de olhos intensos e poderes saltitantes. Mais tarde Peter viria a descobrir que o nome do cavalo era Athansor em homenagem a canção do cavalo branco, uma velha e conhecida canção dos Catadores.

Peter, era um mecânico na essência, mas também ladrão por oportunidade. Eram os furtos e as trapaças que atualmente lhe rendiam a sobrevivência. Em uma noite fria e cheia de neve, ele avista uma casa aparentemente vazia e cheia de tesouros. Sem pensar, a invade e descobre o maior tesouro de toda a sua vida : Beverly.
Ela era doente, excêntrica e filha de Isaac Penn, um dos homens mais ricos e influentes da cidade e dono do jornal The Sun. E também era linda e muito inteligente. E assim, movido plenamente pelo amor e seu estranho poder de transpor barreiras, Peter Lake e Beverly viveram a sua breve e intensa história de amor.
Uma história cheia de febre, estrelas, constelações e a esperança da realidade se sobrepor ao que já estava certo para acontecer.

Aqueles que são amados não desaparecem simplesmente para sempre.” 
E como já poderíamos prever, muitos invernos se passam, muitos personagens sobrevivem ao gelo e fome e o amor continua sendo a maior fonte inesgotável de esperança.

Dividido em quatro partes e com um total de 719 páginas, Um Conto do Destino arrebata corações pela escrita poética e delicada. Personagens e contos se entrelaçam a uma Nova Iorque gelada de antigamente e uma estranha façanha de voltar no tempo.
É possível se pegar em um sonho enquanto lê apenas duas páginas porque o autor escreve de maneira tão apaixonada que consegue atingir o leitor como um raio de luz.

O livro em uma palavra : mágico

Como quem lê faz eu filme, eu me encantei com a escrita de Mark Helprin. Um Conto do Destino não é um livro para ser lido rapidamente. Não só pelo seu tamanho, mas também pela forma que foi escrito. É um livro muito mais para ser sentido do que para se ler rapidamente. Em muitos trechos é possível perceber conexões filosóficas nos parágrafos, detalhes que conseguem levar o leitor a pensar na verdadeira razão, ou até mesmo intenção, escondida naquelas palavras.
O amor de Peter Lake e Bervely é lindo, mas a história de vida desse menino sobrevivente de uma série de obstáculos, se sobrepõe muitas vezes a belíssima história de amor. Peter é e sempre foi, um sobrevivente. Usa a inteligência a seu favor e magia do cavalo branco. 
O diálogo que ele tem com o pai de Beverly logo que o conhece é incrivelmente sincero e triste e fez com que eu me apaixonasse por ele mais uma vez. Aliás, durante as 719 páginas eu sofri, fiquei feliz e torci muito por Peter Lake, afinal ele é o grande anti-herói dessa história.

Se você procura uma grande trama escrita de maneira poética e capaz de te levar para bem longe, esse é o livro certo para você :-)

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