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Viva Para Contar

Viva Para Contar
Título Original : Live To Tell
Lisa Gardner
Editora Novo Conceito

" Algumas de nossas crianças fazem progressos. Tornam-se as melhores pessoas que têm condições de ser, o que, de acordo com qualquer definição a respeito, é um triunfo. Algumas das nossas crianças cometem suicídio. Outras cometem assassinatos. São elas que dão origem às manchetes que você lê nos jornais : "Jovem perturbado abre fogo na escola." ; " Filho mata a família inteira. " E as pessoas morrem, independente de terem relação com os problemas ou não.
Eu sei o que você está pensando. Você acha que escolhi essa carreira para salvar crianças perdidas, assim como eu. Ou, talvez, de maneira mais heroica, você acha que eu escolhi essa profissão para evitar tragédias como aquelas que aconteceram à minha família.
Entendo o que você está pensando.
Mas você ainda não me conhece."

Danielle Burton foi a única sobrevivente do massacre que acabou com a sua família. Sua mãe, seus irmãos e por último, seu pai. O próprio pai deu fim a própria família, poupando apenas a pequena Dani.
Todo esse tormento já tem quase vinte e cinco anos e a cada aniversário ainda tira Danielle da pouca normalidade que ela tenta viver. Hoje ela é enfermeira em um hospital psiquiátrico e trabalhar com crianças problemáticas, é a sua razão para acordar todos os dias.
A culpa ainda a atormenta. A busca por respostas ainda a atormenta. O ódio ainda a atormenta.

D.D.Warren, uma detetive loira e tão bonita quanto competente, estava em uma tentativa de encontro romântico quando o seu bipe começa a tocar. Para que isso acontecesse o caso só poderia ser grande. Adeus encontro e adeus jantar porque longas horas de trabalho a esperavam. Uma família inteira havia sido morta aparentemente pelo pai, agora em coma no hospital. D.D.Warren tinha dúvidas, o professor Alex que acompanhava o caso, também tinha muitas dúvidas.

Em paralelo, temos a luta diária de uma mãe de uma criança com problemas psiquiátricos. Victoria Oliver se recusou a abandonar o filho em um hospital ou unidade de tratamento. Ela achava que em casa ele estaria mais bem tratado e mais amado. No fundo ela esperava vencer o lado negro da doença através do amor. Só que seu marido não aguentou os dias e noites acordados e muito menos os constantes ataques de fúria que o filho tinha. Eles tinham outra filha e ela merecia crescer em um lugar onde não tivesse medo o tempo todo.

Contado através de três perspectivas diferentes, o livro desenrola a trama aos poucos. Cada perspectiva nos mostra um pouco mais, um detalhe, um desmembramento. Você sabe que tudo está conectado, que a história de vida de Danielle é muito mais do que as páginas dos jornais contam, e esse mistério instiga ainda mais a leitura.
Em determinados pontos os conceitos de mocinhos e bandidos se misturam. Já não se sabe quem é bom é quem é mau. A tensão aumenta e mais uma vez, as páginas ganham vida.

E quando mais uma família aparece massacrada, tudo começa se conectar.

Em Viva Para Contar, a autora explora o universo das crianças problemáticas, os abusos infantis, os traumas e as consequências de tudo isso. Além disso, ainda temos a família enquanto cuidadora e responsável por uma criança com problemas psiquiátricos e as consequências de se lidar com esse tipo de coisa.
E ainda temos a investigação de chacinas e como buscar culpados onde em primeira mão, tirando o modus operandi, não há ligação entre os crimes.

O livro em uma palavra : Tenso

Como quem lê faz seu filme, eu me rendi completamente ao estilo da Lisa Gardner. É impossível prever o desfecho da trama. A autora tem um jeito todo especial de ir deixando pontas soltas durante os relatos dos personagens. Você não tem certeza de nada que aconteceu realmente com Danielle até os últimos capítulos.
A tensão entre vítima ou culpada e a dor de ser sobrevivente ecoa na mente do leitor o tempo todo.

Outro ponto positivo é o universo das crianças problemáticas. No posfácio a autora fala que nem sempre aquela criança que não consegue parar quieta e nem vai para a cama no horário estabelecido é só mal educada. E ainda levanta uma questão muito polêmica sobre a culpa dos pais em relação a crianças violentas. 

Tem partes viajantes ? Tem . Mas há quem acredite em planos superiores e curas através de luz e xamãs, etc... Então é só ler com a mente aberta.

E eu não poderia deixar de comentar que a detetive D.D.Warren, apesar de não ser um primor no quesito investigação, tem lá seu brilho. A tensão sexual que rola entre ela e o professor Alex em meio a tantas mortes, acaba sendo até engraçada.

Livrão viu ?!
E apesar da série começar pelo quarto livro aqui no Brasil, pode ler sem medo porque é bem independente.

Conheça a série dedicada a detetive D.D. Warren
1. Alone 
2. Hide 
3. The Neighbor 
4. Live to Tell  - Viva para Contar
5. Love You More - Sangue Na Neve
6. Catch Me 
The 7th Month 

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