0

A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas
Título Original : The Fault in Our Stars
John Green
Editora Intrínseca

"Eu estou - ele disse, me encarando, e pude ver os cantos dos seus olhos se enrugando. - Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.
- Augustus - repeti, sem saber mais o que dizer. "

Hazel Grace desde sempre aprendeu a conviver com o câncer. Primeiro ele atingiu a tireóide e depois os seus pulmões. Um tratamento ainda em fase experimental a fazia ficar sempre na mesma. Nem livre e nem mais próxima da morte, apenas com pulmões que esqueciam a sua função perante a máquina que era o corpo humano.
Uma vez que os pulmões não faziam a sua função de maneira heróica que muitas pessoas nem lembravam de agradecer, Hazel tinha por companhia diária um cilindro de oxigênio e vários aparatos para dormir. Tudo isso apenas para respirar, sem levar em consideração que dentro dela havia algo que também lutava para viver : o câncer.

Dezessete anos apenas e já encarando essa batalha.
Hazel não ia ao colégio regular há anos e quase não tinha oportunidades de ser uma adolescente. Sua mãe gostaria muito que ela fizesse amigos e aproveitasse os dias, mas enfrentar um Gupo de Apoio e toda aquela baboseira de lutar bravamente etc era cansativo demais.
Ficar em casa e assistir um episódio de American´s Next Top Model mais uma vez era algo bem mais aceitável, mas Hazel perde o cabo de guerra para a mãe e acaba indo para o velho e conhecido Grupo de Apoio.
E é assim que Hazel Grace volta para o Grupo de Apoio, reencontra Isaac que estava prestes a perder o único olho (o outro já havia sido retirado) e tem a oportunidade de conhecer Augustus Waters. Uma amizade que começou pela doença, mas permaneceu pelo coração.

Conhecer Augustus tirou Hazel da zona de conforto emocional. Conviver com o câncer e com a morte ela já havia aprendido desde sempre, porém, era a primeira vez que um garoto a fazia preocupar-se com a aparência, cânulas e efeitos colaterais do tratamento experimental. Augustus, como mais tarde ela mesma viria perceber, seria a sua mais profunda experiência sobre o amor e o infinito.

Os dois conversaram, assistiram filme e trocaram experiências sobre seus livros preferidos. Ele O Preço do Alvorecer e ela Uma Aflição Imperial. Não demora muito e Augustus assim como Hazel, cai de amores por Uma Aflição Imperial. Um livro profundo sobre a vida de Anna, uma garota que também tinha câncer, mas olhava a vida sob uma perspectiva muito verdadeira e sem hipocrisias.

Juntos Hazel e Augustus trilham seus dias de sobreviventes em meio ao sonho de descobrir qual seria o grande final de UAI, uma vez que o livro termina sem praticamente ter um final. Os Privilégios do Câncer os colocam bem próximos desse sonho, mas antes, durante e depois, os dois precisarão enfrentar algumas barreiras.
John Green em A Culpa é das Estrelas nos deixa absolutamente pequenos e sem palavras ao terminar a última página. Um livro que mexe com nosso ser lá no íntimo e nos mostra que a dor precisa realmente ser sentida.

O livro em uma palavra : real

Como quem lê faz seu filme, A Culpa é das Estrelas é um livro que não basta ser lido, ele implica em sentir e repensar pequenas atitudes.

Hazel descobriu o amor em meio ao caos que era a sua vida. Ela não procurou por ele, mas ele apareceu em forma de um menino lindo que viu a sua carreira de jogador de basquete interrompida por um câncer horroroso. Ninguém pediu, mas o amor os deu a chance de viver uma relação pura, verdadeira e infinita enquanto durou.

Sobre os livros, autores e seus poderes de imortalizar histórias e pessoas, só digo que isso é a mais pura verdade. Assim como Hazel, eu também gostaria muito de encontrar alguns autores e perguntar sobre alguns cenários e possíveis finais felizes. Enfim, quem não gostaria ?

John Green escreve lindamente. Sua linguagem é uma mistura de poesia e bom humor e mesmo se tratando de algo tão fatal como a doença, é impossível não ver nenhuma beleza em meio a diálogos tão verdadeiros e inteligentes. Adorei !

" Todos nessa história têm uma hamartia sólida como uma rocha : a dela, estar tão doente; a sua, estar tão bem. Se ela estivesse melhor ou o senhor , mais doente, então as estrelas não estariam tão terrivelmente cruzadas, mas é da natureza das estrelas se cruzar, e nunca Shakespeare esteve tão equivocado como quando fez Cássio declarar : " A Culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / Mas de nós mesmos. "
Fácil falar quando se é um nobre romano ( ou Shakespeare !), mas não há qualquer escassez de culpa em meio às nossas estrelas. "

 Saiba mais sobre o autor e seus livros aqui :
http://johngreenbooks.com/


Postar um comentário

Posts Recentes

© Quem Lê faz seu Filme - Blogger Template by EMPORIUM DIGITAL

TOPO