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Marina

Marina
Titulo Original : Marina
Carlos Ruiz Zafón
Editora Suma de Letras

"- Isso aqui está meio morto, não ? - sugeri, consciente da ironia.
- A paciência é a mãe da ciência - replicou Marina.
- E a madrinha da demência - devolvi. - Não tem nada de nada aqui.
Marina me deu uma olhada que não consegui decifrar.
- Está enganado. Aqui estão as lembranças de centenas de pessoas, suas vidas, seus sentimentos, suas ilusões, sua ausência, os sonhos que nunca conseguiram realizar, as decepções, os enganos e os amores não correspondidos que envenenaram suas vidas ... Tudo isso está aqui, preso para sempre.
Olhei para ela intrigado e um tanto intimidado, embora não soubesse exatamente do que estava falando. Fosse como fosse, era importante para ela.
- Ninguém entende nada da vida enquanto não entender a morte - acrescentou Marina."

Óscar era um garoto de 15 anos que vivia em um internato com nome de santo e por mais que os jardins fossem gloriosos e a arquitetura belíssima, ele sempre esperava pelo milagre que se produzia todo dia às cinco e vinte da tarde : a campainha que tocava anunciando o fim das aulas.
Era hora de se aventurar por antigas mansões, retratos de uma Barcelona que um dia viveu a prosperidade.
E foi em um desses passeios que Óscar resolve entrar em um casarão cuja fonte estava coberta por musgos e um gato sinistro que carregava sua presa entre dentes logo lhe deram boas vindas.
E nesse mesmo casarão Óscar conheceu o susto, o medo e a visão mais bela em formato feminino. Aquela com cabelos cor de feno, humor ácido e um vestido que deixava suas curvas por conta da imaginação. Marina era o nome que ficaria marcado para sempre na memória da Óscar.
A jovem menina, órfã de mãe e que vivia com o pai já idoso em um casarão decadente.

Uma amizade tão linda como só mesmo aquela que antecede o primeiro amor, fez esses dois ficarem inseparáveis. Juntos eles exploravam Barcelona e juntos resolveram seguir uma estranha viúva que visitava um túmulo sem nome no cemitério. Uma borboleta negra era a única identificação na lápide e era a própria insígnia do mistério.
A partir desse ponto, os dois são tragados para um passado de riqueza, ódio e loucura. Uma loucura que ultrapassa os limites da vida e da morte e que varre a vida de quem um dia cruzou o seu caminho.
Uma traquinagem de jovens que agora os deixou irremediavelmente envolvidos em uma trama de horror.

Fugir do internato e mentir para os padres, tornou-se algo comum para Óscar. Nem o medo por sua vida ou pela vida de Marina, o impedem de buscar a verdade.

Zafón diz que escreveu Marina pensando que era o tipo de livro que ele mesmo gostaria de ter lido na infância e que continuaria a se interessar quando tivesse 23,40 ou 43. Um misto de inocência e horror que ele mescla de forma incrível sem deixar de conectar a primeira e a última página causando uma mágica sensação em quem lê.

O livro em uma palavra :  fascinante

Como quem lê faz seu filme, no início achei que era mesmo um livro para adolescentes, no meio eu ainda tinha dúvidas, mas no final eu compreendi que poderia reler em várias fases da vida que sempre iria me encantar com a magia do primeiro amor e o horror que a ligação do "médio e o mostro" poderiam causar. O livro passa muito aquela sensação de que não devemos brincar de Deus. A ele cabe a vida e a morte. Não sem um grande interlúdio no meio rs 
E no caso do livro Marina temos um interlúdio de grandes proporções.
Um grande inventor e empresário que torna-se escravo de sua loucura e brinca com a vida e a morte.
Um amor marcado pela dor que não sobrevive a loucura.

Marina é uma delícia de ler. Pelos jovens dotados daquela coragem que só a eles pertence e também pela dores e perdas de um enredo de horrores. O medo disputa espaço com a coragem em uma escrita poética e isso prende o leitor até a última página.

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