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A Rainha Branca

A Rainha Branca
Título Original : The White Queen
Philippa Gregory
Editora Record

"- Por que ele não olharia para você ? Ele olhou, e bastante, na primeira vez. Deve gostar de você ... quer que sua terra seja devolvida. Veio jantar. Caminhou no jardim com você. Por que não viria de novo ? Por que não a favoreceria ?
- Porque entre aquele dia e hoje eu tive o que queria, e ele não - replico com grosseria, largando o vestido. - E pelo que parece, ele não é um rei tão generoso quanto dizem as canções. O preço de sua generosidade foi alto, alto demais pra mim.
- Ele quis você ? - sussurra ela, horrorizada.
- Exatamente.
- Oh, meu Deus, Elisabeth. O que você disse ? O que você fez ?
- Eu disse não. Mas não foi fácil.
Ela fica deliciosamente escandalizada. "

Era um período onde duas casas lutavam entre si para defender seus interesses. Uma, a casa de York com sua rosa branca, a outra , a casa dos Lancaster, com sua rosa vermelha.
A guerra das rosas como assim foi chamada, marcou não só pela selvageria, mas por primos e muitas vezes próprios irmãos colocarem o trono acima de qualquer coisa.
No meio dessa guerra conhecemos Elisabeth Woodville, a jovem viúva Grey com dois filhos para criar e a herança subtraída pela família do falecido com aprovação do novo rei Yorkista.
Por parte de mãe, Elisabeth descendia dos duques da Borgonha e assim, tinham uma ligação estreita com Melusina, uma espécie de Deusa das Águas.
Elisabeth sabe que o novo rei é da casa de York, aquela que levou seu marido na batalha e quase levou seu pai e seus irmãos, mas esse rei é a sua última esperança para recuperar as suas propriedades. Sendo assim, Elisabeth se arruma e vai esperá-lo na beira da estrada junto com seus dois filhos, com a benção de sua mãe e alguns conjuros de Melusina.
 
Eduardo IV , um jovem da casa de York, acaba de usurpar a coroa do Lancastriano rei Henrique VI e sua rainha Margarida de Anjou. Eduardo IV era assessorado por Richard Neville, o conde Warwick, o grande articulador político que o deu a primeira espada e agora o colocou no trono.
Conhecido por não perder nenhuma batalha, Eduardo era um comandante como nunca haviam visto. Metade das mulheres da Inglaterra havia se deitado com ele e a outra metade ansiava por isso.

Eduardo perde a razão ao olhar Elisabeth pela primeira vez. Algo que os dois compartilham. Ela queria apenas as suas terras de volta, mas ao olhá-lo sente-se perdida em seus olhos e ansiando por seu toque. O discurso foi esquecido, o rosto ficou ruborizado e a jovem viúva se sente viva novamente.
Aquele rei acostumado a ter tudo o que quer, investe pesado na conquista e nas artimanhas, mas a mãe de Elisabeth sabia muito bem onde estava pisando. E quando Elisabeth passa a ser a primeira mulher a resistir, o rei enlouquece e toma uma decisão definitiva.
Decisão esta que colocaria os Neville diante do trono e o colocaria distante de seu mentor e protetor conde Warwick.

Uma filha de Lancaster com um filho de York. Quem sabe não seria um anúncio de paz ?

Eduardo IV escolhe Elisabeth por amor e com isso ganha uma coleção de inimigos dentro da própria casa. A guerra das rosas já não era tão fácil de se ler, uma vez que Yorkistas e Lancastrianos mudavam de lado facilmente conforme os seus interesses.
Com Warwick rebelado e unindo-se aos franceses, Eduardo ainda precisava lidar com a ira de seus próprios irmãos, que embalados pelas metiras de sua própria mãe, acham que podem usurpar o trono do próprio irmão.
São tempos difíceis, tempos onde não se sabe ao certo quem é inimigo e quem é aliado. Talvez não dividiram a riqueza tão rapidamente, talvez não colocaram aliados confiáveis em todos os cantos da Inglaterra e países aliados, o fato é que o rei, a rainha e seus descendentes correm perigo. Os tão sonhados tempos de paz nunca chegam e a guerra coloca o trono acima de qualquer parentesco.
Uma guerra que começou entre primos e chegou até irmãos.

Philippa Gregory, narra através de nossa protagonista, uma história recheada de magia onde fatos reais se fundem com o romance. Elisabeth Woodville é uma figura com grande destaque na história da Inglaterra não só por casar-se por amor, ser acusada de bruxaria e participar de certa forma, do início da era Tudor, mas por ser a mãe dos príncipes da torre. Um mistério que até hoje mantem-se intacto.
A autora não escreveu sobre nada extraordinário como podemos comprovar facilmente na grande enciclopédia virtual (http://en.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Woodville) , mas entrelaçando o romance, a magia e a história, nos brinda com algo extraordinário : A Rainha Branca . Um livro onde sentimos vontade de mudar a história e dar um final feliz aos protagonistas.

O livro em uma palavra : surreal

Como quem lê faz seu filme, eu também me apaixonei por Eduardo IV. Um rei que nunca perdeu uma batalha em campo e que seduziu centenas de mulheres. Um rei que amou verdadeiramente sua rainha e morreu acreditando na fidelidade de seu irmão.
A Rainha Branca foi a minha estréia no estilo literário de Phillipa Gregory e confesso que estou irremediavelmente apaixonada. Com quase duas páginas de bibliografia e um phd no curriculum, a autora me fez viajar para uma época onde casar-se poderia significar apenas um jogo de interesses.

Conheça a série dedicada a guerra dos primos :

Cousins' War
1. The White Queen - A Rainha Branca
2. The Red Queen
3. The Lady of the Rivers
4. The Kingmaker's Daughter

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