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O Prisioneiro do Céu

O Prisioneiro do Céu
Título Original : El Priosionero del Cielo
Carlos Ruiz Zafón
Editora Suma de Letras 

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Quando Firmín se entregava ao pessimismo orgânico, o melhor a fazer era não lhe dar munição.
- Quer saber de uma coisa, Daniel ? Às vezes acho que Darwin se equivocou e que, na verdade, o homem descende dos cães, porque oito entre dez hominídeos já fizeram alguma cachorrada que ainda não foi descoberta - argumentava.
- Prefiro quando você expressa uma visão mais humanista e positiva das coisas, Fermín. Como outro dia, quando disse que no fundo ninguém é mau, apenas tem medo.
- Deve ter sido uma queda do açúcar no sangue. Uma completa bobagem."

Daniel Sempere está agora casado com Bea e vive os frutos do casamento e da paternidade entre as horas de descanso e o trabalho na livraria do seu pai. 

Firmín Romero de Torres, ácido e astuto como sempre continua com os Semperes e planeja casar-se com sua amada Bernarda. Só que Firmín possui um passado digno de um romance policial e seus segredos podem estar diretamente ligados a sua imensa amizade por Daniel Sempere.
Para casar-se como mandava o figurino de uma Barcelona em 1957, era necessário documentos e um passado limpo. Coisa que com Firmín era meio que uma incógnita. 
Firmín Romero de Torres era um nome que ele se apegou talvez no momento mais difícil de sua vida. Era Firmín que Bernarda amava. Era Firmín que os Semperes acolheram.
O passado daquele homem escondia os horrores da guerra com requintes de crueldade de um tal inspetor Fumero. Pensar em tudo aquilo e no que teve que fazer para conseguir sobreviver, já fazia Firmín ficar magro como um cachorro de rua mas, foi quando uma figura que fazia parte de seu passado, visita a livraria e deixa um exemplar de O Conde de Monte Cristo com uma dedicatória para ele, que o passado vem à tona com força total.

Daniel não consegue mais ver o amigo definhando de preocupação e parte em uma jornada em busca de respostas. Respostas que remontarão não só o passado de Firmín entrelaçado com uma figura apelidada de O Prisioneiro do Céu, mas também sua própria história.

Zafón age sorrateiramente nesse livro. O primeiro capítulo já envolve o leitor de irreversivelmente.
Logo após, a junção das obras anteriores se faz como em um quebra cabeças e é possível perceber como Zafón brinca com a conclusão dos fatos com a inegável maestria de quem é apaixonado por livros e escreve para os igualmente apaixonados.

O livro em uma palavra : inesquecível

Como quem lê faz seu filme, eu li esse livro bem devagar. Antes do final já estava prevendo que sentiria falta do humor negro de Firmín, da coragem de Daniel Sempere e da escrita poética do autor.

O Prisioneiro do Céu fecha o passado de Firmín e abre o futuro de Daniel de uma forma absurdamente natural. Ao contrário do que vem escrito logo no início do livro, eu confesso que para se conectar a trama é importante ler os livros na ordem correta, pois o autor toca em fatos do primeiro e do segundo livro e mais específicamente, remonta o passado de Firmín baseado em fatos dos livros anteriores. Por tudo isso fica a indicação de ler a série na ordem correta.

E para os fãs (eu me incluo aqui), acredito que Zafón ainda nos brindará com mais um livro para essa série maravilhosa porque muitas perguntas ainda ficaram sem resposta. Que os anjos digam amém !

Série Cemitério dos Livros Esquecidos :

1. A Sombra do Vento
2. O Jogo do Anjo
3. O Prisioneiro do Céu

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