17

O Céu Está Em Todo Lugar

O Céu Está Em Todo Lugar
Título Original : The Sky Is Everywhere
Jandy Nelson
Editora Novo Conceito

"Para a minha surpresa, o tempo não parou com o coração dela.
As pessoas continuaram quebrando bolachas salgadas em suas sopas, preocupando-se com as provas, cantando nos carros com as janelas abertas.
Por vários dias, a chuva martelou o telhado da nossa casa - uma prova do terrível erro cometido por Deus.
Todas as manhãs, quando me levantava, ouvia as incessantes batidas, olhava pela janela para a tristera e me sentia aliviada, pois pelo menos o sol tivera a decência de ficar bem longe de nós."

Lennie Walker era a irmã mais nova de Bailey. Enquanto Bailey era plena em sua alegria, Lennie era mais centrada. O que esperar de alguém que leu O Morro dos Ventos Uivantes 23 vezes ? Lennie era assim, muito envolvida com música e literatura. 
Elas viviam com a avó e com o tio Big, pois a mãe havia saído em uma jornada e nunca havia retornado. Talvez seja esse o grande elo de ligação entre essas irmãs que sem a mãe, buscavam apoio uma na outra.

De repente Lennie se vê sozinha e aquele céu azul, aquele mundo perfeito se torna cinza. Cinza pela dor de palavras não ditas, despedidas que não aconteceram e uma vida inteira interrompida antes da hora.
Como lidar com a saudade ? A falta ? Por que a vida insistia em continuar ?
Tudo lembrava Bailey. Cada cheiro, cada objeto, cada cor.

Tobby era o namorado de Bailey,  e esse acaba encontrando em Lennie uma chama de Bailey. Os dois se aproximam pela dor. Juntos, se viam mais perto daquela que amavam.

Lenny não teve outra opção a não ser voltar para o colégio e voltar a tocar seu clarinete. Por milhares de vezes se sentia culpada por tocar a vida enquanto a irmã não estava mais entre eles. 

A vida pode dar muitas voltas e quando Lennie deveria supostamente estar vivendo o luto, ela acaba se apaixonando pelo novo integrante da banda - Joe Fontaine. O lindo Joe que encanta pelo seu brilho, alegria, simpatia  e cílios lindos.

Dividida entre as lembranças da irmã e as paixões, Lennie precisa se encontrar. Resolver questões íntimas e priorizar o que realmente é importante.


Um livro sobre perdas, amor e principalmente sobre vida.

O livro em uma palavra : surpreendente

Como quem lê faz seu filme, Lennie no auge dos seus quatorze anos precisa lidar com um sentimento que nunca estaremos preparados : a perda . A autora explora muito bem essa questão e o lado família também. A vovó Walker chega a ser mágica de tão deliciosa. Ela encontra nas plantas o refúgio para suas tristezas.

Jandy Nelson é também poetisa e no decorrer do livro somos apresentados a vários poemas e simples desabafos que foram espalhados pela cidade. Talvez surpreendente não consiga por si definir esse livro. Surpreendentemente intenso talvez consiga.

A edição brasileira é linda demais. Possui capa com um relevo que é um luxo só e aqueles poemas e desabafos são retratados da forma mais real possível.

Postar um comentário

Posts Recentes

© Quem Lê faz seu Filme - Blogger Template by EMPORIUM DIGITAL

TOPO