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Palavras Envenenadas

Palavras Envenenadas
Título Original : Palabras Envenenadas
Maite Carranza
Editora Novo Conceito


" Não, família não, falo pra mim. Ainda que saísse daqui não poderia olhar para eles. Seria incapaz de abraçá-los e beijá-los. Não teria coragem para dizer que os amo. Ele repetiu diversas vezes que não me perdoariam, que me tirariam da vida deles, que, se soubessem tudo que aconteceu, prefeririam que estivesse morta. Já não tenho família e não terei nunca. Se soubessem quem sou e o que fiz se envergonhariam de mim e me dariam as costas. "

Bárbara Molina conheceu o lado mais sombrio da vida.
Conheceu a permissividade de sua mãe.
Conheceu a educação rigorosa de seu pai.
Conheceu a incompreensão da melhor amiga.
Conheceu a fome, a dor e a miséria das palavras envenedadas. Palavras que muitas vezes repetidas, acabam por se tornar verdades.

Bárbara estava desaparecida havia 4 anos. Sua mãe não conseguia aceitar e caiu em uma depressão profunda. Núria Solis respirava apenas porque era involuntário. Seus outros filhos, os gêmeos cresceram em meio a essa dor.
O pai Pepe Molina, fazia cartazes, incomodava a polícia e chegou até a bater em um professor que entrou para a lista de suspeitos.

A sua melhor amiga sentia um misto de raiva e inveja. Sentimentos tão confusos que fizeram Eva por muitas vezes sentir-se culpada pelo desparecimento da amiga Bárbara.

A polícia seguiu várias pistas que não diziam nada. Todas elas levavam a um beco sem saída.
O inspetor que cuidava do caso estava com a aposentadoria marcada e esse certamente seria um caso encerrado sem solução se não fosse um telefonema.
Um telefonema que tiraria todas as pessoas envolvidas da letargia que é aguardar alguma notícia que não chega nunca.

Quatro anos vivendo em um porão sem a luz do sol e sem nenhum, absolutamente nenhum contato com o mundo. Bárbara estava resignada. Por vezes achava que era culpada, por vezes queria assumir uma coragem que lhe faltava. Quatro anos depois, o que sobrou ? Apenas o espectro de Bárbara. Uma sombra. A sobrevivente.

Maite Carranza em um relato alternado entre a visão da sequestrada e a visão dos principais envolvidos, nocauteia o leitor. O relato é cru e verdadeiro. Você lê quase que em um único suspiro. Você não acredita, você se revolta, você fica indignado, você pára de respirar.
É a história sobre um sequestro que durou 4 anos e colocou um ser humano nas piores condições tanto físicas como mentais. É a história de uma menina que só queria crescer e se tornar mulher e teve sua infância roubada brutalmente.

Uma rede de mentiras e jogos psicológicos.

O livro em uma palavra : forte

Como quem lê faz seu filme, eu estou até agora com um nó na garganta. Só consigo pensar em quantas Bárbaras existem por aí. Em como é triste saber que isso poderia ter acontecido perto de nossas vidas.

Um livro diferente que acabei lendo sem grandes pretensões, mas que mexeu muito comigo. Li direto quase sem respirar.

Esse livro certamente vai fazer você olhar as relações familiares com outros olhos.

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