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Os Desaparecidos

Os Desaparecidos
Kim Echlin
Editora Alfaguara

" Venha até a porta, espírito que conheço, e vou me levantar e abraçá-lo . Volte à vida apenas uma vez mais, deixe-me sentir seu sopro, Serey, deixe-me ouvir a sua voz em uma canção, deixe-me lavar a sua dor. Venha, eu vou sussurrar o seu nome para você uma vez mais. "

Ela: Anne Greves, uma estudante do ensino médio, filha de um ex-marinheiro Engenheiro desenvolvedor de próteses para pernas.
Ele: Serey, 21 anos, um refugiado do Camboja, monitor de Matemática que vivia a mais de 4 anos em Montreal sem nenhuma notícia de sua família.
Anne tinha apenas 16 anos quando naquele show do Buddy Guy conheceu Serey.
Foi amor imediato. Um completava o outro.
Serey com seu violão chapei e sua Harley Davidson nocauteou o coração de Anne ao cantar canções de blues com uma mistura de sotaques entre
inglês, francês e khmer.
O relacionamento logo evoluiu e eles passavam quase todo o tempo juntos regados a melodia do chapei e a voz de Serey.


" O que partilhávamos era tão simples. Lembro de ter pensado, Me sinto tão desperta. "

O Camboja continuava a sofrer com o Vietnã e os horrores do Khmer Vermelho mas a fronteira aos poucos se reabria. A ausência de notícias de sua família e a saudade foram mais fortes e Serey resolveu partir em busca de respostas.

Para Anne o tempo parou. Seu pai sempre alertara que um dia isso ia acontecer mas uma pessoa apaixonada escuta ?

O mundo ficou cinza, as músicas ficaram abafadas. Um silêncio mortal.
Anne amadureceu. Já trabalhava e falava Khmer quase fluentemente. Estudar a língua dos Cambojanos lhe trazia algum conforto e assim ela se sentia mais próxima do mundo de Serey.
Anne tentou viver mas 11 anos haviam se passado desde a partida de Serey e o significado da palavra viver era mais no sentido de respirar do que tocar a vida para frente.


O tempo consegue apagar o amor ?

Anne toma uma difícil decisão e resolve ir até Phnom Penh em busca daquele que nem o tempo foi capaz de apagar de sua vida.
Um país devastado com os horrores da guerra onde qualquer pessoa contra o regime era brutalmente assassinada. Homem, mulher, idoso ou criança. Aliás, muitas vezes, os assassinos não passavam de crianças com fuzis nas mãos.

Anne em sua busca, conhece pessoas dispostas a ajudá-la a reencontrar seu grande amor. Dentre elas, Mau, um motorista, Sopheap, uma vendedora ambulante e Will Maracle um médico legista do Kahnawake que estava no Camboja para fazer a contagem dos mortos.
Will abria locais de massacre e liberava os restos mortais.
Apesar da intervenção da ONU os líderes não estavam interessados nos números de mortos e a região ainda estava dominada.
Anne com a ajuda de seus novos amigos, não desistiria até encontrar o homem da sua vida.


Kim Echlin nos leva ao Camboja onde mais de um milhão de pessoas morreram sem a menor chance e outros muitos , inocentes e opositores do governo morrem até hoje. E foi nesse cenário que ela nos mostra Anne, uma mulher que foi capaz de tudo para reencontrar o seu grande amor.
O livro é em primeira pessoa, e faz um eco dos sentimentos de Anne.
Uma narrativa viciante onde fatos históricos são misturados ao romance para conduzir o leitor na mais comovente história sobre coragem, amizade e amor.


O livro em uma palavra: apaixonante.

Como quem lê faz seu filme, eu fui levada ao Camboja onde aconteceu um massacre terrível . O Khmer Vermelho e a Angka de Polt Pot impediam os cidadãos de viverem livremente. Anne me mostrou que o tempo não apaga e não substitui um grande amor. Fiquei impressionada com a certeza dos sentimentos dela. É lindo !
É preciso coragem para vencer a cultura, a língua e a morte.


Para conhecer um pouco mais sobre a história do Camboja e o Khmer Vermelho clique aqui.

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