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Um conto de amor com cheiro de Néctar da Flor

O Encontro, a Surpresa ...
Melinda estava exausta. Foi um longo dia. Tinha conseguido abrir todas as caixas de sua mudança. Seu escritório estava todo organizado com os fios conectados e embutidos, livros na estante e o principal computador e Internet funcionando. Juntou todas as suas forças para tomar um banho demorado e colocar o primeiro vestido que encontrou. Colocou um shorts por baixo e nem se preocupou em procurar o sapato ideal. Pegou seu tamanco roxo, penteou os cabelos, passou seu perfume e um gloss transparente nos lábios.
O restaurante era de frente para o mar muito bem arrumado e com música ao vivo na altura correta. Chegava quase a ser romântico.
Melinda se sentou na mesa com a melhor vista para o mar. Como já havia feito seu pedido, um prato de salada e camarões grelhados, simplesmente olhava o mar e as pessoas a caminhar no calçadão. Mel estava perdida em pensamentos quando uma pessoa entra e senta na sua mesa repentinamente.
- Oi ! Posso jantar com você ?
- Christian ! O vizinho perfeito !
- Não me chame assim. Não faço jus ao seu elogio. Cris percebeu o sarcasmo mas fingiu não ter entendido.
- Eu já fiz o pedido a um tempo. Camarão grelhado e salada para uma pessoa.
- Eu vou pedir um igual pra mim.
- Garçom ?
Melinda estava se divertindo com a situação.
Cris era mais que um vizinho perfeito. Ele era lindo e tinha cérebro. Era possível conversar e se divertir com ele. E além do mais ele tinha acabado de tomar banho e cheirava muito bem. Mel pensou.
- Melinda ?
- Pode me chamar de Mel.
- Então, Mel? Seu cabelo fica mais comprido molhado. Cris se surpreendeu com a imbecilidade de seu comentário.
- Meu cabelo nunca esteve tão comprido assim antes. Vou precisar cortar um pouco quando eu voltar ao trabalho.
- Não ! Deixa assim. Eu gosto assim.
Melinda preparava um sermão quando foi surpreendida pelo garçom.
- Seu pedido senhora !
- Obrigada.
O cheiro era irresistível e Melinda sorriu animada. Quando ela levantou o olhar, percebeu que era analisada por Christian. Seus olhos verdes brilhavam divertidos.
- O que foi ?
- Você sorriu para a comida !
- Eu me animei com o cheiro.
- Você vai ficar me olhando comer?
- Que remédio. Vou fazer esse sacrifício. Cris falou como se isso fosse um duro fardo a carregar.
Mel comeu um camarão e se deliciou com o sabor. Preparou outro e levou o garfo para Cris.
Cris se aproveitou da situação e chegou mais perto de Mel para receber a comida na boca.
Mel mesmo hipnotizada pelo olhar de Cris continuou a comer e dividir com ele. Ela sentiu um arrepio quando Cris limpou a sua boca com o guardanapo.
- Hum vou cancelar o meu pedido. Prefiro comer assim.
- Garçom ?
- Sim pois não !
- Cancele o meu pedido.
- Não cancela nada. Mel disse rindo.
- Desculpe, mas o que eu devo fazer ?
- Cancele. Cris disse fingindo estar bravo.
- Traga o pedido
Cris e Mel falaram ao mesmo tempo para delírio do garçom.
Neste momento, um sino tocou e o garçom foi buscar o prato de Cris que já estava pronto.
O garçom super sem graça chegou na mesa e disse:
- Desculpe senhor, mas seu prato já chegou.
- Tudo bem. Vou perder meu mimo. Cris falou para o garçom olhando para os olhos da Mel.
- Christian?
- Me chame de Cris e eu te chamo de Mel. Ok?
- Tudo bem. Cris, você está muito engraçadinho hoje !
- É o cansaço. Eu desempacotei quase toda a minha mudança e estou acabado.
- Eu também. Juntei minhas forças para tomar banho e caminhar até aqui.
Cris sorriu maliciosamente e disse;
- Mudar é bom, mas dá muito trabalho.
Para a fúria de Mel, Cris pagou a conta em um gesto rápido e certeiro.
- Vamos?
- Eu não vou a lugar nenhum com você.
- Vem Mel. Vamos eu estou de moto. Eu te levo.
Ele já estava lá embaixo em frente a moto sorrindo a espera de Mel.
Mel olhava para a moto com uma expressão incrédula.
- O que foi? Você tem medo?
- Não é nada disso ! Eu tenho uma moto exatamente igual a essa. Da mesma cor inclusive. Eu ainda não tive tempo de buscar na concessionária.
- Não acredito! Cris realmente ficou surpreso. Um carro igual ao seu e agora a moto. Essa mulher não existia de verdade !
Como você também tem bom gosto, já deve saber que é muito bom andar nessa moto.
- Vem, não tenha medo ! Eu não vou te derrubar.
- Eu estou de vestido e tamanco. Não sai preparada para andar de moto.
- Para com isso ! Eu tenho certeza que você está com shorts por baixo.
Cris levantou o vestido de Mel e comprovou sua teoria.
- Desculpa. Eu podia estar errado. Cris disse já arrependido por ter agido por impulso. Por que essa mulher o fazia parecer um imbecil.
Mel ficou vermelha de raiva e subiu na moto atrás de Cris.
- Pegue esse capacete para você. Eu vou com esse outro.
Mel colocou o capacete e se surpreendeu quando percebeu que os capacetes tinham comunicadores. Para não dar o braço a torcer, estava segurando apenas nas grades traseiras.
Cris parou a moto de repente. Mel se assustou.
Ele tirou o capacete, abriu a viseira de Mel e disse:
- Se você não se segurar direito, ou seja, em mim, você pode cair e se machucar e eu não ficarei feliz com isso. Cris disse autoritariamente.
O curto espaço na viseira foi o suficiente para Cris perceber a fúria de Mel.
Cris se virou, colocou o capacete e esperou a mudança.
Mel se empinou, colou seu corpo ao de Cris e o agarrou pela cintura. Deslizou e só então descansou suas mãos no peito de Cris. Como era impossível brincar com fogo sem se queimar, Mel estava em chamas. O contato dos corpos foi o suficiente para despertar um fogo adormecido a mais de três anos. Mel estava tensa e com muito medo da novidade.
Cris estava amargamente arrependido. A mudança de posição de Mel causou uma explosão de desejo. Aquele corpo lindo agarrado ao seu e o abraço daquelas mãos no seu peito causavam uma dor latente em sua virilha. Pela proximidade era impossível deixar de sentir os seios de Mel roçando suas costas em uma respiração acelerada. Sua cabeça girava. Cris lutava para manter o equilíbrio na moto, não errar nenhuma marcha e não dar vexame. Nenhuma mulher foi capaz de destruir seu autocontrole até agora. Como isso era possível? Enquanto a reação das outras era massantemente previsível, Mel era completamente imprevisível.
- Mel, vamos tomar uma água de côco na praia antes de ir para casa?
Cris falou acariciando as mãos de Mel que se seguravam em seu peito.
- Vamos. Foi uma ótima idéia.
Cris percebeu que Mel estava tensa demais e parou com a carícia.
Mel deslizou as mãos no peito de Cris em um gesto impensado.
Esse gesto quase arrancou um suspiro de Cris e ele teve que lutar para não perder o controle.
Malvada. Foi a única palavra em que Cris conseguiu pensar para definir a precisão do golpe.
- Pra quem não queria se segurar em mim, você bem que está se aproveitando da situação. Cris disse com a voz grossa de desejo.
- Mel congelou e beliscou Cris na cintura mais forte do que deveria.
- Convencido !
- Ai ! Que violência ! Eu não disse que eu não estava gostando. Na verdade eu estou gostando mais do que deveria. Cris fingindo estar com dor, falou sorrindo.
Cris levou um tapinha na perna agora. Bem leve e mais bem humorado.
A tensão era forte entre eles. Era difícil raciocinar e não dizer coisas tolas.
Chegaram a uma barraca de água de côco e desceram da moto.
Mel não estava vermelha. Estava quase roxa em um mixto de vergonha e raiva.
Cris estava sentindo como se sua calça jeans fosse um número menor. O que salvava era que sua camiseta era comprida.
Mel logo se sentou na mureta de costas para a rua e ficou olhando pro mar em uma frustrante tentativa de se acalmar e diminuir o despertar latente de emoções antes muito bem lacradas.
Enquanto isso, Cris pegou dois cocos e se sentou de lado com uma perna para dentro e outra para fora da mureta. Abraçando Mel de uma certa forma.
- Vem, pega seu côco. Está bem gelado.
Mel sorriu e pegou seu côco.
- Nossa, está ótimo. Os côcos daqui tem um gosto diferente. Deve ser o clima ou a proximidade com o mar. Você não acha?
- Claro. O côco de São Paulo é como água de côco em caixinha.
Riram juntos sem se dar conta da sincronia dos corpos.
Ventava bastante a beira mar e o vestido de Mel teimava em levantar. Como já eram quase onze da noite, o vento já estava frio e o braço e as pernas de mel arrepiaram com a mudança de temperatura. Muito mais pela proximidade dos corpos do que pela temperatura.
Cris percebeu e chegou mais perto.
- O que você está fazendo ? Mel perguntou.
- Estou tentando bloquear o vento pois eu acho que você está com frio.
- Vamos. Outro dia nós podemos voltar, eu trago um casaco e dispenso esse vestido ingrato.
Cris sorriu e abraçou Melinda de um jeito carinhoso demais para ser rejeitado.
- Cris, eu não estou pronta para nenhum envolvimento agora. Eu ...
As palavras não saiam. Melinda sentiu um bloqueio.
- Eu também não. Vamos apenas viver o que a vida tem para nos oferecer. Sem pressa. Sem jogos. Sem mentiras. Eu prometo.
- Está bem. Eu carrego um passivo que ainda doe o suficiente para me deixar com um certo bloqueio.
- Eu não estava procurando nada quando vim para essa cidade além de mim mesmo. Agora eu encontrei você e isso é bom.
Mel recebeu o afago em seus cabelos e pensou como a vida oferecia surpresas inesperadas.
Cris deu um beijo no rosto de Mel e disse:
- Vamos.

O caminho para casa não foi menos tenso. O desejo, a energia entre eles era forte demais para passar despercebida. Um vulcão que esteve extinto e agora fervilhava de desejo.
Cris demorou o dobro do tempo para fazer o caminho de casa e conversaram sobre coisas banais como o tempo, o trânsito e o preço dos mantimentos.
Dentro do elevador, era difícil negar a proximidade dos corpos.
Como um imã se atrai pelo seu pólo, os dois corpos clamavam pelo encontro.
- Então, se você quiser eu posso te levar para buscar sua moto amanhã. Aceita?
- Sim. Seria ótimo. Eu interfono para você.
- Eu vou anotar meu celular e assim se eu não estiver em casa você pode me achar. Eu não tenho nenhum planejamento para sair com toda a bagunça que eu preciso organizar mas ...
- Eu vou anotar o meu para você também.
Cada um entrou na sua casa e providenciou a nota.
Os dois se encontraram no hall de entrada e pareciam adolescentes.
- Quer entrar ? Cris quebrou o gelo.
- Hum, outro dia. Vamos arrumar bem direitinho e depois daremos um jantar de boas vindas. Que tal ?
- Ótima idéia. Vou arrumar tudo correndo e te ofereço o jantar amanhã. Pode ser ?
- Touchê ! Você foi rápido.
- Não fui não.
- Tchau Cris. Obrigada pela noite.

Mel já entrava quando Cris falou baixinho:

- Só fui sincero !

Mel lutou contra a vontade de arrastar aquele homem para dentro de casa e trancá-lo em seu quarto e fechou a porta. Correu para a cama e se jogou sorrindo.

* Espero que tenham gostado porque eu gostei muito de escrever.
Gostou ?
Não esqueça de votar em mim a partir de amanhã no Néctar da Flor.
Beijos de fada.
Luka.

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